25 dezembro 2013

Fernando raposo
Se Passos não tivesse desdenhado Seguro, talvez tudo tivesse sido diferente

Talvez Passos e os seus conselheiros estejam hoje arrependidíssimos de não ter “amarrado” o PS ao Programa de Ajustamento.
Foi um erro.
Bem pode Marco António, inquisidor de serviço, “atribuir culpas” ao PS pelos males da Nação, que já ninguém toma as suas palavras como sérias. Porque para o tal “país à beira da bancarrota, como bem gosta de vociferar, também contribuiu a dívida monstruosa da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, de que ele fora vice-presidente, e que fora contraída com a sua ajuda, sob a batuta do seu timoneiro, Filipe Menezes, e que Passos candidatara ao Porto, talvez para que este concelho também ficasse de “tanga” como ficara o de Gaia.
Quanto a dívidas e bancarrota, estamos conversados.
Talvez tudo tivesse sido diferente, se Passos não tivesse desdenhado Seguro.
Talvez a capacidade de negociação com a troika fosse mais firme e as medidas de austeridade não fossem tão dolorosas e tão devastadoras. Talvez o desemprego não fosse tão acentuado e os mais jovens com maiores qualificações não tivessem que abandonar o país. Talvez as reformas do país, que todos gostam de prescrever, tivessem sido feitas. Talvez não se tivesse fragilizado, senão mesmo desmantelado, o sistema nacional de saúde e a escola pública.
Talvez o país estivesse agora melhor. Talvez os portugueses não estivessem hoje tão intranquilos e tão inseguros quanto ao futuro.
Talvez não tivéssemos vendido todos os “anéis da coroa”.
Talvez a tentação de Passos em violar a constituição fosse mais contida e não tivesse, por conseguinte, averbado tantas derrotas ou talvez Portas não tivesse tanta necessidade de se expor ao ridículo.
Talvez Cavaco Silva não se sujeitasse a ser, frequentemente, confrontado com a sua irrelevância, enquanto Presidente da República.
Talvez tudo tivesse sido diferente…
Mário Soares não teria tido necessidade de se afastar do conforto do seu lar para se juntar aos trabalhadores dos estaleiros de Viana de Castelo, em luta pela manutenção dos seus postos de trabalho e contra o processo de subconcessão dos estaleiros à Martifer, de que se suspeita estar envolto num grande mistério. Apesar dos seus 89 anos, Mário Soares não se resignou, uma vez mais, e esteve lá em solidariedade com os trabalhadores e em defesa dos interesses do país.
Não teríamos sido confrontados com os desmandos de Nuno Crato e com a humilhação pública a que foram sujeitos, recentemente, os professores. Empurrões, protestos, choros e lágrimas, invasão de salas e polícia de choque à mistura, são a expressão desesperada de quem já não se revê em quem se julga ainda legitimado.
Se Passos não tivesse desdenhado Seguro, talvez tudo isto tivesse sido evitado e Crato não teria reagido desnorteado e por vingança, contra as Escolas Superiores de Educação. Sem fundamento e apenas por ódio, Crato, perdeu, enquanto ministro, o respeito de todos aqueles que deveria representar e defender. Enquanto académico deveria ter sido prudente nas afirmações que fez, porque não tinha quaisquer dados que as suportassem. Fê-las ao jeito de um qualquer “treinador de bancada”, mais consentâneo com os “bitaites” de um invulgar comentador.
Mas Crato quis, intencionalmente e talvez por preconceito, senão mesmo por snobismo, denegrir e desvalorizar o ensino superior politécnico.
Nuno Crato, enquanto primeiro responsável pelo ensino superior, tinha o dever de conhecer as avaliações que são feitas às instituições de ensino, e aos cursos em particular, pela A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior), instituição independente.
Crato sabia, como eu sei, que da totalidade dos cursos de formação de professores já avaliados, apenas quinze foram chumbados por falta de qualidade, sendo nove das Universidades e seis dos Politécnicos.
O Ministro da Educação e Ciência conhecia estes dados, uma vez que eles estão disponíveis na A3ES.
Nuno Crato, ao agir por má-fé hipotecou todas as condições para se manter no governo.
Não fossemos nós, ao contrário de Mário Soares, um povo resignado, e nesta altura já o governo de Passos teria saído pela porta das traseiras.

24/12/2013
 

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