José Lagiosa
Natal
A época natalícia é sempre um tempo em que se propala o amor, a fraternidade, a solidariedade mas também a paz.
Apesar disso, os homens, um pouco por todo o mundo, teimam em presentear-nos com mais austeridade, mais desigualdade, mais guerra, mais ódio, mais avareza, mais discriminação, enfim um pouco de tudo aquilo que não tem nada a ver como espírito natalício.
A paz, essa, fica esquecida no coração dos que matam e mandam matar, dos que roubam e mandam roubar, dos que corrompem e mandam corromper, dos que violam e mandam violar, dos que apregoam milagres e mandam apregoar milagres, de todos os impuros, déspotas, falsos profetas e dos que mandam promover ditaduras.
Cada vez mais os sentimentos que nos habituámos ao longo do tempo, a ver associados a esta época se esvanecem, um pouco a cada ano que passa, qual trajetória, rumo ao fim do Homem senão for travado este caminho perfeitamente suicida.
Mas eis que, do nada, vimos um sinal que apesar de singelo foi um gesto único em direção à paz. Falo de Barack Obama e do cumprimento com que, em pleno funeral de Mandela presenteou o mundo, perante as câmaras de televisão, aquele significativo e importante aperto de mão a Raúl Castro, presidente de Cuba.
Foi um gesto calculado, dizem uns, espontâneo, dizem outros. Pouco importa, neste momento. O que fica para a esmagadora maioria que teve o privilégio de assistir é que foi uma afirmação de vontade. Vontade de promover e fazer a paz. Conseguida ou não, só o futuro o dirá. Mas fica, para já, o simbolismo do gesto e do momento.
Os tempos são difíceis. Em Portugal e no Mundo. As razões diversas. O objetivo, no futuro só pode ter um nome, paz.
Até lá importa ir lutando por melhores dias, sem hipotecar a esperança, para que saibamos construir um País mais próspero, mais solidário, mais fraterno e um Mundo cada vez melhor.
Para isso não podemos deixar morrer o espírito de Natal.