Celeste Capelo
Nelson Mandela
Estava a iniciar esta crónica quando fui surpreendida com a notícia da morte de Nelson Mandela. Surpreendida talvez não seja a palavra correcta, pois há muito que se sabia que a sua saúde era bastante precária, mas aquele choque da notícia, isso eu senti, e dei comigo a pensar e a reflectir sobre a vida deste homem.
Li em tempos um texto que me ficou na memória, e comecei a relacioná-lo com o meu pensamento sobre a vida do homem que acabava de partir. Passo a citar:
“A vitória sobre as dificuldades é a grande descoberta do homem a respeito de si mesmo. A felicidade não foi prometida ao homem como dádiva. Ela é, essencialmente, uma conquista. Mas, para se chegar lá é preciso lutar, transpor muitos obstáculos, ser obstinado, ter paciência e esperar”.
A obstinação, a paciência, a espera e, diria eu, até o perdão, foram as armas fundamentais para as vitórias do povo da África do Sul, conseguidas através do seu principal mentor, Madiba.
O seu exemplo e a história da sua vida, bem podem ser um lindo conto de Natal.
Ouvimos e recebemos inúmeras mensagens de Natal, todas elas pedindo e desejando Paz, Amor, Fraternidade.
Vivemos na era do imediato. Os avanços tecnológicos facilitam este imediatismo e por isso, não possuímos as qualidades da paciência e da espera tão facilitadoras da capacidade de ultrapassar ou vencer os obstáculos.
É certo que as actuais condições de vida a que a crise nos obriga não ajudam a ter esta compreensão.
Mas Natal é também concórdia, e é esperança.
São estes os meus desejos natalícios para todos os leitores do Jornal “Gazeta do Interior”, extensivos a todos os colaboradores, administração e funcionários.