Edição nº 1886 - 12 de março de 2025

NO ANIVERSÁRIO DA GAZETA DO INTERIOR
36 anos depois... continuamos aqui

Para muitos, 36 é um número de anos mágico, os anos de trabalho que põe (ou punha?) o trabalhador com a reforma à vista. Para nós, os 36 anos da Gazeta do Interior não estão a pedir reforma, antes é acima de tudo uma marca da persistência, da resiliência e da maturidade. Por isso queremos festejar a existência de um projeto jornalístico que nasceu ambicioso de um grupo de profissionais, amigos e investidores que acreditou que a região merecia um jornal assim, jovem, apresentação gráfica inovadora e com informação plural e isenta. E no meio de um Mundo, próximo e alargado, cheio de más, alarmantes, notícias, esta é a boa notícia que damos hoje. A de que apesar de todas as vicissitudes, comuns a tantos títulos de Imprensa regional e nacional (estou a lembrar solidariamente o grupo da Visão e do JL), continuamos aqui no nosso posto de vigia. 36 anos dão-nos uma maturidade que nos permite distinguir cada semana o acessório do essencial, o de não querer desistir perante as dificuldades que tantas vezes parecem intransponíveis e superar a expetativa sempre frustrada da chegada dos apoios prometidos pelos sucessivos Governos à Imprensa Regional. A Imprensa que, sendo agente importante na defesa da democracia e da coesão territorial, sofre dos problemas da interioridade, em territórios de baixa densidade e frágil tecido económico. Lembramos como há alguns anos atrás se apoiaram projetos de modernização informática, ou de como foi importante para os títulos regionais o sistema de porte pago, uma forma justa de reconhecer a sua especificidade. Foi um apoio importante a jornais como a Gazeta do Interior que, ao contrário dos grandes jornais nacionais, tem tradicionalmente uma boa parcela de vendas em forma de assinatura, a fazer chegar a região aos Beirões e amigos espalhados pelo País e estrangeiro.
E também muitos dos nossos leitores locais se habituaram a receber na sua caixa do correio, às quintas, a Gazeta do Interior. Até porque os quiosques dos jornais vão desaparecendo das nossas cidades e vilas, agora muitos deles mais focados na venda de jogo do que na venda de publicações, porventura reflexo das alterações de hábitos de leitura de Imprensa. Num país onde a percentagem de gastos em cultura pela população é das mais baixas da Europa, cerca de cinco por cento, menos do que há 36 anos quando nasceu o nosso jornal, a informação digital gratuita, tipo fast food, de leitura rápida, basta para grande parte dos consumidores Portugueses.
De facto, de 1989 até hoje o Mundo mudou muito e muito rapidamente, e as tecnologias de informação vieram alterar profundamente a maneira de produzir, publicar e ler a informação. E é muito difícil a sobrevivência de um pequeno jornal, sem um grupo económico sólido a suportar os custos de produção cada vez mais elevados e menores receitas publicitárias, partilhadas com os novos média digitais. Vive-se numa época em que as novas gerações já não compram jornais, habituados a ter a informação instantânea de forma gratuita em suporte digital, ou a serem atraídos pelo canto das sereias da desinformação nas redes sociais. Passeiem pelas nossas ruas e vejam se encontram meia dúzia de pessoas, com jornal debaixo do braço ou em cima da mesa do café. Em Portugal, para bem da democracia (defendida com os cidadãos a acederem a informação credível e plural) e ao contrário de outros países europeus, não se tem considerado necessário criar incentivos de apoio à Imprensa escrita, nomeadamente à Imprensa local e regional.
Mas sejamos, mesmo que moderadamente, otimistas. A resiliência, persistência e amor a este jornal por parte de quem aqui trabalha permite-nos ter confiança no futuro da Gazeta do Interior. Com os melhores colaboradores da cultura regional e nacional que tornam a terceira página um caso sério na Imprensa regional. Com colaboradores de uma qualidade que já extravasa a terceira página e nos deliciam com crónicas de fino traço literário.
Neste aniversário, as prendas que nos fazem felizes e estimulam são as vossas, leitores, assinantes e clientes, traduzidas no carinho e na confiança que nos manifestam cada semana. A prenda que vos damos é a belíssima capa desenhada por um ilustre Albicastrense, José Manuel Castanheira, de grande prestígio mundial na área da arquitetura, cenografia e arte, que nos orgulha ter como amigo e que respondeu de imediato ao convite de colaborar desta forma na celebração dos 36 anos, fazendo do número 1886 da Gazeta do Interior também um número para colecionadores.
João Carlos Antunes

12/03/2025
 

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