João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
NO APONTAMENTO com que encerro o ano de 2024, vamos fazer um breve balanço do ano. Infelizmente, aqui como na maior parte das situações da nossa vida, são os acontecimentos mais dramáticos (por serem traumáticos?) que nos ficam com cola mais forte na memória. A guerra na Ucrânia que entrou na rotina dos mortos e ruínas já não mobiliza da mesma forma as opiniões públicas na Europa. Ao contrário do sonoro repúdio popular ao genocídio (a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch são taxativas em classificar como tal esta guerra) que Israel perpetra contra os palestinianos em Gaza. Estas duas guerras com grande cobertura mediática não podem fazer esquecer outras guerras cruentas que afetam milhões de pessoas, especialmente em África. Mas já se sabe que só acontece aquilo que aparece na televisão...
A figura internacional do ano é naturalmente Donald Trump. Sobre ele já tanto foi dito que não vale a pena acrescentar coisa alguma. O balanço do seu primeiro ano de governação, parece que a meias com Elon Musk e com uma equipa que mais parece saída de um qualquer reality show de treta, de certeza será assunto para os comentadores e analistas no final do próximo ano.
Por cá, deixemos as eleições que marcaram a mudança de ciclo político, que é sempre bom para a saúde da democracia. Fico-me por António Costa que, claramente, aproveitou o momento Influencer para, citando Mário Soares, livre como um passarinho fora da gaiola, dar o salto fora das chatices da vida política nacional e entrar na alta roda da Comunidade Europeia. Eleito presidente do Concelho Europeu, onde se lhe auguram sucessos, já está entre os mais influentes para 2025 segundo Político, a prestigiada publicação digital.
E passemos aos que nos deixaram, mas vão continuar a ter um cantinho especial nas nossas memórias pessoais. A começar pelo mestre Cargaleiro, pintor e ceramista, homem do mundo que deixou parte importante da sua herança artística a Castelo Branco sem esquecer nunca as suas raízes em Vila Velha de Ródão. Os nomes que aqui alinho são nomes da minha geografia sentimental, que de várias formas habitaram comigo ao longo, ou em algum momento importante, nas várias décadas de vida que já levo. Na música Ruy Mingas, Melanie Safka, Hugo Maia de Loureiro, Françoise Hardy, Mísia, Sérgio Mendes (&Brasil´66, lembram-se?), Catherine Ribeiro, Fausto Bordalo Dias, meu colega de faculdade; no cinema e no teatro, António-Pedro Vasconcelos, Alain Delon, Gena Rowlands, Paul Morrissey, Graça Lobo, Teri Garr que sempre associo a One From the Heart, a obra prima e maldita de Coppola; Santana Castilho, um dos mais esclarecidos especialista de educação com textos que nos habituámos a ler no Público; Eugénio Lisboa, ensaísta, crítico e escritor, o poeta Nuno Júdice, Alice Munro, prémio Nobel em 2013 e autora de alguns dos melhores contos que eu já li, Augusto M. Seabra, também meu colega de faculdade, durante décadas uma das figuras cimeiras da vida cultural lisboeta. Sem esquecer um dos ícones da moda nacional, Manuel Alves, um dos Manéis, que eu quero aqui lembrar porque foi muitas vezes meu parceiro de mesa e conversa no pequeno restaurante (cada vez mais um dos segredos menos bem guardados de Lisboa) que diariamente frequento nas minhas estadias em Lisboa.
E como o espaço já se me acabou, resta-me desejar a todos um excelente ano de 2025. Com os nossos comportamentos, ajudemos a comunidade mais próxima e mais alargada a ter um melhor ano.