Edição nº 1862 - 25 de setembro de 2024

Elsa Ligeiro
CASA DO POVO DE ALCAINS

Alcains tem uma nova Casa do Povo, requalificada e pronta a servir a população da vila.
A requalificação, um trabalho do gabinete “dbA. arquitectura”, com sede em Alcains, preservou a traça original; e salvou da espessura do tempo não só o edifício, mas também o mobiliário de que os alcainenses guardam uma memória feliz.
Lugar de serviços médicos e de fruição social e cultural no passado; a Casa do Povo de Alcains é, neste momento, e dentro do património requalificado na Vila, um bem precioso.
A Vila possui um Centro de Cultural que nunca cumpriu a função para que que foi transformado o Solar Ulisses Pardal.
O Museu do Canteiro, instalado no seu interior, foi envelhecendo por falta de ideias e de trabalho de quem o dirige; paulatinamente, na senda de um funcionalismo público que adormece facilmente na preguiça dos dias sempre iguais.
E a requalificação do Solar nunca tirou partido do trabalho social e cultural ativo que a Casa do Bem, dinamizado pelas Irmãs Franciscanas de Maria, durante décadas, deixou na memória dos alcainenses.
O seu auditório raramente é utilizado para concertos de qualidade ou para a projeção de cinema de autor.
E a sua utilização na apresentação de teatro tem sido escassa.
Lembro-me de um espetáculo extraordinário: Inspektor, de Gogol, encenado por Nuno Pino Custódio; mas, em contraponto, também de uma peça do Váatão que me fez corar de vergonha por na minha terra se apresentarem folias inconsequentes, dando-lhe o nome de teatro.
O jardim do Solar Ulisses Pardal transformado em Centro Cultural nunca abriu à população.
Situado num local privilegiado, a Av. Ramalho Eanes, continua um jardim fechado aos residentes da Praça e das ruas do Outeiro; e a todos os alcainenses que procuram lugares aprazíveis de sombra para combater o calor no verão ou para apreciarem a riqueza natural do espaço na Primavera ou Outono.
Uma requalificação falhada nos seus objetivos a do Solar Ulisses Pardal.
Como a requalificação do Mercado de Alcains que, reinaugurado em 2017, com grande pompa e circunstância (ou não fosse esse um ano de eleições autárquicas) continua vazio de atividades; com a quase totalidade das lojas por arrendar.
Espero, sinceramente, que a atual Junta de Freguesia de Alcains já esteja a trabalhar no pleno aproveitamento do edifício que a Casa do Povo oferece a Alcains; um espaço ideal para o executivo mostrar a sua capacidade de trabalho e de concretização de projetos relevantes para a Vila.
Desde logo, espaço para Formação Profissional e de acolhimento de micro e pequenas empresas tecnológicas que fixem os jovens alcainenses, especialmente os licenciados que não encontram dinâmicas que lhe permitem apostar no desenvolvimento da sua terra natal, e os vão criar em outras localidades; ou, mais triste, partem para o estrangeiro, oferecendo a outras geografias o investimento dos pais (e do país) na sua educação.
Mas também para a dinamização cultural.
A Casa do Povo é um equipamento adequado para fomentar as várias artes em Alcains; desde logo o Teatro e o Cinema de autor; mas também a Literatura e a Dança, e essa arte maior sem a qual todas as outras se perdem na usura do tempo: a arte do encontro para a troca de ideias que permitem novos inícios e projetos.
Alcains tem agora um equipamento para criar dinâmicas de desenvolvimento económico, cultural e social; ao que há que juntar o Mercado Municipal e, se a Junta de Freguesia estabelecer um compromisso sério com o Município de Castelo Branco, poderá transformar o Centro Cultural de Alcains, finalmente, num espaço dinâmico.
É urgente transformar o Museu do Canteiro num espaço atrativo; com programação adequada à memória dos canteiros e pedreiros de Alcains; apresentando-o como um verdadeiro ex-libris da Vila.
E se o caminho escolhido foi o de o dinamizar em conjunto com o Museu de Artes e Ofícios, que se faça com um projeto adequado e não através de notícias avulsas na comunicação social, que passados meses e meses sobre a publicação das notícias nenhum alcainense (ou visitante) consegue entrar no edifício ainda encerrado ao público.
Se associarmos a todas estas valências o enorme e qualificado equipamento da Diocese de Portalegre e Castelo Branco, que é o Seminário de São José; Alcains possui alicerces para um desenvolvimento integrado numa economia de vanguarda.
Sem com isso deixar de criar uma identidade regional própria em que os produtores artesanais do queijo e da pastorícia (com os seus rebanhos bem enquadrados na paisagem alcainense); a moda na Dielmar; e a transformação de bens alimentares (Lusitana) constituem um conjunto de valor e riqueza a integrar no desenvolvimento da Freguesia quanto antes.
Já se perdeu demasiado tempo com relações de dependência municipal para lá do razoável, tendo como resultado a situação atual: falta de objetivos no desenvolvimento concreto a curto e médio prazo; como podem comprovar, diariamente, os que vivem na Vila de Alcains.

25/09/2024
 

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