Edição nº 1811 - 27 de setembro de 2023

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

DESDE SEMPRE que os acontecimentos dramáticos geograficamente próximos, nos afeta de forma muito diferente do que aqueles que acontecem no outro lado do Mundo. A proximidade alimenta a solidariedade, mas também uma sensação de perigo, uma preocupação que é mais forte quando está a acontecer a poucos milhares de quilómetros do nosso ninho.
Este sentimento é ainda reforçado, e de que maneira, pela Comunicação Social. Veja-se a cobertura noticiosa do grande terramoto que arrasou aldeias de Marrocos, destruiu património construído e causou mais de três mil mortos, outros tantos feridos graves e muitos milhares de desaparecidos. Marrocos claramente não tinha construções antissísmicas para resistir a um sismo desta magnitude. E os nossos canais de televisão, principais fontes de informação dos cidadãos, acompanharam quase hora a hora durante vários dias o drama marroquino. E foram mais longe: chamaram especialistas para antecipar o que aconteceria em território português, especialmente em Lisboa e Vale do Tejo, no caso de acontecer um abalo sísmico como o de Marrocos, uma hipótese que alarmou muita gente. Vimos isto em todos os canais, sem exceção. Porque este drama aconteceu a pouco mais de mil quilómetros de Lisboa.
Quando algo semelhante acontece no Oriente ou na América Latina, pode ser abertura de telejornais por um dia… e a nossa solidariedade para com o drama vivido por esses povos, salvo algumas exceções, não resiste à distância. Veja-se o drama diário vivido pelas mulheres e as meninas afegãs, prisioneiras do regime brutal e medieval dos talibãs. Periodicamente há uma reportagem que nos refresca a memória, mas um caldeamento de horror, revolta e impotência dura pouco mais que o tempo da reportagem.
Temos uma guerra na Europa como não acontecia desde a Segunda Guerra Mundial, mesmo passando pela Guerra dos Balcãs, que foram guerras étnicas circunscritas a uma região bem delimitada, causou muitas mortes e dor, houve crimes de guerra que foram punidos, mas nunca se sentiu o perigo de alastramento. Temos uma guerra à porta de casa, que envolve uma superpotência nuclear liderada por um autocrata, que parece ser capaz de tudo para se safar numa guerra que ele pensava ser uma coisa assim de vou ali à Ucrânia, ponho um fantoche no poder e venho jantar com a família, que os ucranianos ainda me vão agradecer e glorificar.
E afinal deu em resistência heroica de todo um povo, em muitos milhares de mortos de ambos os lados, temos uma guerra que se sente estar para durar e temos os canais de notícias, ao fim de dezoito meses a manterem jornalistas nos palcos da guerra que nos entra em casa todos os dias e por várias horas, em imagens e comentários de especialistas para todos os gostos. Porque a guerra está a acontecer à nossa porta. Quem veja os canais de notícias brasileiros, constata que a guerra da Ucrânia por aqueles lados dá notícia de rodapé. E não haverá muita crítica caseira às polémicas declarações de Lula sobre o conflito que tanto têm desgostado os seus aliados europeus.
Pois é… longe da vista, longe do coração.

NOTA: Na edição da semana passada os Apontamentos da Semana... publicados não eram os corretos, devido a um erro técnico, o que levou a que respeitassem a um tema desfasado no tempo, uma vez que já tinha ocorrido há muito tempo. Pelo sucedido pedimos a melhor compreensão dos leitores.

27/09/2023
 

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