João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
ACONTECEU ESTA SEMANA, no domingo passado, o primeiro dia do resto da vida do vírus que fez suspender por largos meses a vida tal como nós a conhecíamos até então. Quem acredita, como nós acreditamos, no poder da ciência e ainda mais quando nunca como agora grandes cientistas de todo o mundo pararam com as investigações que os ocupavam para se dedicarem à descoberta da vacina que significasse o fim deste pesadelo, não compreende as desconfianças sobre a sua eficácia ou perigosidade. Há demasiada gente que, não acreditando na ciência, seguem as teorias mais absurdas, de negacionistas e cultores das teorias da conspiração, quase sempre ligados a movimentos de extrema direita, que inundam as redes sociais. De qualquer modo, iniciou-se a tremenda tarefa de a fazer chegar a todo o mundo, sendo que na Europa serão 450 milhões de cidadãos. Uma operação que, num simbolismo marcante, se quis iniciar exatamente no mesmo dia nos vinte e sete estados da União Europeia. Ato que deveria fazer refletir os nossos eurocéticos sobre o que aconteceria se, neste contexto terrível que estamos atravessando, não estivéssemos integrados na Comunidade, se dependêssemos apenas de nós. Toda esta crise sanitária, social e económica mostrou uma Europa unida, por ação de três mulheres que vão ficar para a história da Europa, Angela Merkel, Ursula von der Leyen e Christine Lagarde.
ESTE É O ÚLTIMO NÚMERO DA GAZETA A SAIR EM 2020. Era um número, vinte, que até soava bem mas que agora todos desejam ver pelas costas. No entanto, ao longo do ano outras coisas houve, que não só pandemia e que, à maneira de balanço necessário breve, vale a pena trazer aqui porque se adivinha que alguns dos acontecimentos vão fazer mudar muitas coisas no Mundo e na nossa maneira de viver. A começar pela vitória de Biden, nos EUA mas que interessa por motivos óbvios a todo o Mundo. Uma vitória que fez ainda mais revelar, se tal fosse necessário, o caráter maligno, egocêntrico e ditatorial de Trump. Uma personagem inqualificável que insiste até ao último segundo do seu mandato em dividir a América. Mas importante é que voltamos a ter um adulto na Casa Branca, com Biden a chefiar uma equipa que todos desejamos seja competente para reparar todos os estragos que Trump provocou na América e no Mundo. Europa voltou a ter um presidente americano com quem dialogar, concertar ações e políticas. A América vai voltar a participar e cooperar nas grandes decisões sobre o clima e sobre os problemas da saúde a nível global. A vitória de Biden também influenciou certamente o desenlace das negociações sobre o Brexit. Boris Johnson perdeu um aliado que lhe prometia acordos comerciais especiais e Biden foi claro em dizer que não iria por esse caminho. E Johnson, até pela amostra desta semana no caos dos camiões em Pas-de-Calais e Dover deverá ter tomado consciência do que estaria para vir se continuasse, inchado de tanta arrogância, a caminho do abismo que seria o Brexit sem acordo. Para todos, europeus comunitários e súbditos britânicos, foi a melhor prenda de natal possível.