Edição nº 1666 - 25 de novembro de 2020

Alfredo da Silva Correia
O PARQUE DO BARROCAL - PRÉMIO MUNDIAL

Felizmente a vida ainda me permitiu apreciar o Parque do Barrocal e, sinceramente, vim de lá maravilhado e depois deliciado com a leitura do livro, escrito tão sabiamente sobre o mesmo, livro que comprei após a visita, já que o Barrocal me diz muito, por ter vivido ali perto a minha infância.
Já então admirava aqueles enormes pedregulhos por entre os quais saltitava até chegar ao marco geodésico que subia para ter uma visão mais ampla do mundo muito limitado, em que então vivia.
Neste descritivo da minha juventude apenas observo o facto de apesar de ser referido que na Pedra da Rondoa viveram pessoas no século xx, não é referido que quem lá viveu era uma mulher conhecida por Brandoa, que eu tantas vezes de longe lá vi. Miserável era então a sua vida, mas era uma presença viva no meio de todos aqueles rochedos, tendo sido com gosto que agora pude aprofundar todas as envolventes, também históricas, daquele espaço tão rude, mas com tão forte significado no nosso concelho e não só. Digo no nosso concelho, porque muito novo comecei a ouvir falar do homem beirão, como sendo rude e moreno, mas rijo como o granito, o que não falta naquele espaço.
Assim, depois de referir quanto o Barrocal me diz, por neste ambiente ter nascido, não pude deixar de apreciar a polémica vivida no meu concelho, quando se começou a falar em tal projecto e sobre este aspecto a minha reacção imediata foi a de sentir que já vinha com 30 anos de atraso, pois via aquele espaço com tão forte significado abandonado e até a ser alvo de lixeira.
A minha cidade natal tem de facto muita sorte, pois não é difícil apreciar que para além de dispor de um centro cívico com uma amplitude que é difícil encontrar em muitas outras cidades e de poder dispor de equipamentos que muito contribuem para uma melhor qualidade de vida, vai agora usufruir de um parque natural tão bem concebido, como é o nosso Barrocal, que com 40 hectares fica integrado na própria cidade.
Aquando da polémica sobre a sua concretização, trocando impressões com um beirão técnico superior de uma empresa internacional, trabalhando na Holanda, de visita à cidade, ao aperceber-se do que então se pretendia fazer naquele espaço, fez-me de imediato sentir que tal ideia teria que ser concretizada, pois constituir-se-ia numa enorme mais-valia para a cidade, o que agora se confirma, por tal parque ser distinguido mundialmente.
É verdade que há sempre quem pense de forma contrária e temos que respeitar tais entendimentos, mas sempre senti que o português sempre foi melhor a produzir do que a vender, dispondo até de muitas potencialidades que não são aproveitadas, o que depois tem influência no nosso PIB e consequentemente na nossa qualidade de vida.
Felizmente que tivemos quem resistisse a tais contradições tendo-o conseguido concretizar, pelo que não tenho dúvidas que tal espaço não só vai contribuir para que o albicastrense o usufrua, como para que Castelo Branco se torne uma cidade ainda mais apelativa para os visitantes, contribuindo por esta forma, para que tenhamos mais rendimento turístico.
Compreendo que aqueles que defendem o imobilismo das coisas sejam, sobretudo, aqueles que sempre tiveram um vencimento ou reforma garantidas, não se preocupando minimamente com a forma de fazer a vida. Hoje não está fácil de facto fazê-la neste mundo de economia global e cada vez sentindo-se mais que a competitividade é fundamental, como o é o aproveitamento dos recursos naturais que temos.
Assim, face à realidade de dispormos hoje de um espaço tão bem conseguido e com tão forte significado, mesmo a nível mundial, não posso deixar de saudar todos aqueles que conceberam e resistiram a tantas contrariedades, para que hoje dispúnhamos de uma infra-estrutura daquela qualidade. Mesmo os que conceberam o livro, sobre o nosso Barrocal e deram o seu contributo para as descrições tão sábias nele contidas, como albicastrense, também é com gosto que os saúdo.
Sejamos sempre criativos e construtivos…
(Ex-dirigente associativo empresarial)

25/11/2020
 

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