20 de novembro de 2019

Maria de Lurdes Gouveia Barata
A MÁ EDUCAÇÃO

Educar implica um determinado objectivo cujo âmbito abrange uma mudança de comportamento, levando o ser humano a enquadrar-se socialmente no seu desempenho cívico, cultural e político. A educação assume relevância na realização de cada indivíduo e na sua relação com os outros dentro de um nível de civilidade e delicadeza, proporcionando a capacidade de socialização na comunidade em que se insere. O conhecimento do meio ambiente e a interacção com o mesmo desencadeiam atitudes e acções que são fruto de uma educação ambiental, para dar um exemplo de peso nos dias que vivemos.
Pois é do nosso quotidiano que hoje me apetece falar, quase a um nível doméstico de rua. Pequeníssimos incidentes levam-nos frequentemente a falar da má educação generalizada a que se assiste e que se torna mais preocupante se verificada com jovens que denunciam de imediato a tal falta de educação que se comenta. Porém, não é só a classe jovem que prevarica, tenhamos disso consciência. No entanto, estes pensamentos devem-se a um determinado incidente: um grupo de jovens espigados de adolescência e conversadores de voz elevada estão do lado de lá da porta que eu abri. Ficámos frente a frente e se tive a veleidade de que me franqueariam a passagem por ser uma pessoa mais velha, depressa perdi essa ilusão – avançaram de rompante continuando a conversa, enquanto eu segurava a porta para que todos passassem, e continuaram… Nem um agradecimento e eu, com o vício de professora, disse em jeito de lição: obrigada, não é? Dois ou três voltaram-se, parecendo não perceber, fizeram um comentário qualquer e riram-se. O riso deve ter sido por causa desta maluca que lhes apareceu… são apenas suposições…
Também me lembro de uma conversa de um grupo de rapazes e raparigas que vinham atrás de mim numa das ruas da cidade, que conversavam sobre a escola e as aulas, entre irritações, risos e palavrões – estes sobretudo ditos pelas raparigas – e a uma certa altura uma delas, falando de uma professora, diz: ela que me torne a ameaçar por causa do telemóvel, que a minha mãe vai lá e logo lhas canta! Lá vai o tempo em que os pais entregavam os filhos aos professores para que ajudassem a fazer deles homens… Na ocorrência anterior a educação em casa é ensinar a ver nos professores uns inimigos que têm de se espiar. Claro que o caso não é generalizado, mas é demasiado frequente. Não estou suspirando por velhos tempos ou por dantes é que era bom, tão somente a exprimir o que se tornou exagerado e advém duma falha da educação dos filhos que têm sempre razão e se tornaram meninos intocáveis de culpa. Ainda me lembro como me escandalizei aqui há uns anos, quando passou na televisão a mãe de uma miúda de catorze anos que dera uma bofetada na professora. Lembro o caso, embora não interessem os pormenores para que se fique escandalizado. A mãe gritava diante da filha e de várias ouras pessoas: a minha filha deu uma bofetada à professora? Pois se fosse eu dava-lhe duas! Nem vale a pena comentar.
Entretanto pensemos na má educação quotidiana das discussões por causa do trânsito, dos insultos por dá cá aquela palha. Também já tenho comentado, sozinha e em voz alta, aqui está um egoistazinho, um incivilizado, quando numa rua encontro um carro estacionado a ocupar dois lugares – é alguém que só pensa em si. E não há tempo para falar da falta de educação, da falta de preparação, de muitos dos funcionários das instituições…
O respeito por si mesmo é que leva a respeitar os outros. Quando se diz que não há respeito e que há falta de educação, há uma causa próxima: tudo deixou de nos dizer respeito, não importam os outros, importa um eu egoísta que julga ocupar todo o espaço do mundo, não reconhecendo espaço a mais ninguém.

20/11/2019
 

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