22 de maio de 2019

Fernando Raposo
A CGD “ESTÁ A CUSTAR UMA PIPA DE MASSA A MUITA GENTE” “A MIM NÃO”, RETORQUIU O COMENDADOR

A audição de Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos, cujas desconcertantes declarações foram insultuosas para todos os portugueses, é reveladora de uma eventual relação enferma entre a política, a economia e a finança, que outro objectivo não teve senão o do controlo das instituições, característica muito própria dos regimes totalitários.
Aquilo que ressalta das declarações de Berardo é que alguém – vamos aguardar pelo desfecho da história – lhe deu de mão beijada, a ele e outros, maquia bastante para que pudesse “botar faladura” nos destinos do maior banco privado do país, o BCP.
Ao que consta, só de uma assentada foram 500 milhões, para Berardo e aliados. E estes fazem (ou faziam) parte, da ”fina flor” da nossa economia. Como revelou o “Público” de 04 de Janeiro do ano passado, “Joe Berardo, a família Moniz da Maia (Sogema), Manuel Fino, Pedro Teixeira Duarte e José Goes Ferreira receberam crédito da Caixa Geral de Depósitos para comprarem acções do BCP”.
Entre os Administradores da Caixa que aprovaram os créditos, estavam o Presidente, Carlos Santos Ferreira, e Armando Vara, nomeados, à época, pelo Governo de Sócrates. Os mesmos que, depois de Berardo e aliados, ganharam peso no corpo accionista, transitam para a Administração do BCP. Alguns daqueles acionistas figuravam entre os primeiros proponentes da candidatura de Carlos Santos Ferira a Presidente deste banco privado.
Coincidências? Talvez! A ver vamos, pois a procissão ainda agora vai no adro.
O estranho, para um leigo na matéria como eu, é que tenham sido dadas como garantia do empréstimo, em primeira linha, as próprias acções.
Para este bizarro exercício de poder no BCP, falando apenas de Berardo, sabe-se que “arrebanhou” à Caixa 350 milhões de euros, que os portugueses estão agora a pagar com “língua de palmo”. Ou como disse melhor o deputado Duarte Marques, do PSD, referindo-se aos custos com a CGD, “está a custar uma pipa de massa a muita gente” e a que o nosso comendador (não sei se à hora em que escrevo, ele já devolveu as comendas) retorquiu de imediato: - “A mim não!!”
A recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, por causa desta “brincadeira” das acções do BCP e outras como esta, ou ainda piores, soma para cima de 5.000 milhões de euros. É muito dinheiro e que agora daria tanto jeito para fazer face a um melhor funcionamento dos serviços do Estado.
E Berardo ri-se, de forma desbragada e sem pudor, na nossa cara. Como se fosse ele a vítima de uma trama que está ainda por desfiar. E aqui, Berardo, à sua maneira, terá desempenhado bem o seu papel.
Este caso, a juntar a tantos outros que se conhecem sobre a promiscuidade entre a política e a economia, cujas consequências foram, e continuam a ser, desastrosas para o país, é revelador da fragilidade do Estado, que, ancorado nos sistemas político, económico e financeiros muito vulneráveis, se deixou ficar refém de gente sem escrúpulos, que apenas dele se serviu para proveito próprio.
E esta não é a gente do “pé rapado”, iletrada e que conta os “tostões” todos os dia até chegar o fim do mês. Não, não é. É gente com posses ou, se não as tinha, “se fez à política”, que é a melhor carta de alforria para adquirir posição de favor, seja lá junto de quem for. Alguns frequentaram as melhores escolas do país, outros foram, pela República, “armados” Comendadores da Ordem de Mérito disto e daquilo, por honrosos serviços prestados à Nação. E alguns destes, e outros, foram feitos Doutor Honoris Causa, por tão exemplar desempenho profissional.
E quase todos nós, vá lá saber-se porquê, os consideramos pessoas de bem, gente honrada, e alguns deles até heróis por tanta dedicação à Pátria.

22/05/2019
 

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