30 de novembro de 2016

CARLOS SEMEDO
As Narrativas de Alexandre Frade Correia

Inaugurou, no sábado passado, no edifício dos antigos CTT, em Castelo Branco, uma exposição que é um convite ao público, para uma notável experiência artística. Permito-me transcrever aqui o pequeno texto que preparei para o livro/catálogo disponível na referida sala de exposições:
“Foi numa tarde luminosa de Verão que entrei no mundo plástico de Alexandre Frade Correia. O convite tinha sido feito há algum tempo, contudo o labor dos dias foi atrasando a possibilidade da descoberta. Claro que já conhecia algumas das suas obras, com as quais contactei em diversas exposições individuais e colectivas, mas uma coisa é essa visão quase cirúrgica e, sei agora, limitada, outra bem diferente é a oportunidade que me foi facultada de literalmente mergulhar num universo com uma energia muito própria, pleno de forças antinómicas.
Um artista errante foi a primeira imagem que me surgiu, quando comecei a dar conta da diversidade temática e das múltiplas abordagens técnicas. Errante no sentido de alguém que não se fixa num só lugar e que, inquieto, procura incessantemente. Inquieto e sôfrego na procura de respostas que só a viagem, de corpo presente e interior, pode fornecer. Acontece que muita da sua pintura que descobri nesse dia, responde-nos colocando ainda mais questões. E este é um outro plano no qual a obra de Alexandre Frade Correia me surpreendeu. O paradoxal, os opostos e a atitude provocatória estabelecem uma linha que poderemos considerar ser um dos fios condutores de uma parte importante da sua produção artística.
A exposição a partir da qual este livro/catálogo é construído é uma oportunidade de todos conhecerem uma obra que é um segredo bem guardado e que nos convida para o deslumbramento.”
Narrativa de Uma Obra de Emoções é um momento muito importante na vida cultural da cidade. Um artista plástico notável surge em toda a sua potência, com uma perspectiva abrangente da sua obra apresentada num espaço que tem acolhido outras importantes exposições. Amiúde, as cidades são madrastas para os seus, por omissão e silêncio ou por desdém. Outras vezes, ocorre o provincianismo de exultar acriticamente com a produção artística de alguém, só porque “é da terra”. No caso de Alexandre Frade Correia, devido às poucas oportunidades de ver a sua obra em exposição, apenas um número limitado de pessoas conhece o seu trabalho. É uma lástima que assim seja, pois como vão seguramente concordar os que visitarem esta Narrativa, estamos perante um artista que nos desafia, desconcerta e impressiona pela capacidade criadora aliada a um domínio técnico exemplar. Desafia porque nos interpela pela diversidade de abordagens técnicas e de gramática visual e desconcerta por uma aparente falta de linha estilística. É aí que reside a magia (genialidade?) de Frade Correia. Não procurou uma fórmula supostamente original explorando-a depois, como muitos fazem, até à exaustão. Teve a coragem de se expor, ao assumir referências, matrizes artísticas que incorpora, procurando a sua verdade poética num caminho polifónico, por vezes com saltos gigantescos, que me deixam reconciliado com o prazer de estar perante uma obra de Arte.

30/11/2016
 

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