Joaquim Martins
Orçamento: cenografia, luzes e texto!
Orçamento: cenografia, luzes e texto! – Foi na sexta-feira. Não 13. Sexta 14, após a dramatização dos atrasos! Subiu o pano e foi possível ter acesso ao primeiro ensaio geral. Ficou a conhecer-se a maqueta, iluminaram-se algumas cenas e iniciou-se a leitura do texto.
Houve surpresas? Algumas. Mas o resultado global foi o expectável. Um orçamento de esquerda, como não podia deixar de ser. O possível, claro. Com os condicionalismos conhecidos. Com objetivos. Com escolhas!
Interessantes foram as manobras de bastidores e as tentativas de interferência nos cenários. E de subversão do guião.
Na praça pública inventaram-se cenas e previram-se catástrofes. Esteve mesmo anunciada a chegada do Diabo, para setembro. Da Europa houve avisos de frentes frias e de previsíveis terramotos. Houve quem apostasse na rutura da Geringonça. Haveria linhas vermelhas ultrapassadas ou muros inultrapassáveis. O Governo estaria refém (?) e sem líder…
Os rumores chegaram mesmo à China e a Macau, onde o chefe do Governo estaria à procura de soluções. Mesmo sabendo, claro, que não havia almoços grátis, como também lembrou o Presidente.
Nos gabinetes e na Assembleia da República, presume-se, os responsáveis pela Peça Orçamental trabalhavam afanosamente para acertar pormenores. Para, com os meios que tinham, e em debate sem pressas, entre o coração e a razão, prepararem a primeira apresentação pública. Cientes que o Povo que neles, maioritariamente, confiara, iria entender as opções e os pequenos passos. Cientes também que a firmeza e a serenidade seriam capazes de suster as pressões da Europa e dos mercados. Ao que se sabe, foram muitas horas de diálogos densos, mas frutuosos.
E o Orçamento aí está. Para o Governo é um Orçamento que reduz o Défice e a Dívida; Aumenta os rendimentos das famílias; Introduz mais justiça social; Apoia as empresas e mantém a estabilidade fiscal.
Para a Oposição é um Orçamento igual ao anterior que vai continuar a arrastar o País para o abismo e que não promove o crescimento económico. É um pacote de impostos. É uma oportunidade perdida!
Tudo normal. Vamos à discussão e viva a democracia!