Carlos Semedo
Mais uma vez, o Cinema
O anunciado regresso do cinema a um espaço comercial de Castelo Branco, mereceu fartas referências nas primeiras páginas dos jornais regionais e o regozijo de muitos. A percepção simbólica de que sem sessões contínuas em todos os dias, pipocas e estreias em simultâneo com o chamado circuito comercial, uma cidade “não tem cinema” é algo sentido por uma grande parte da população.
Já escrevi o óbvio numa destas crónicas, as cidades têm muito a ganhar com ofertas diversificadas tanto no cinema como em outras áreas artísticas. Se quando ainda funcionavam os anteriores cinemas num Centro Comercial da cidade, a oferta do Cine-Teatro Avenida era complementar e alternativa, quando as novas salas iniciarem a sua actividade, será essa a matriz espectável. Ao longo de quase dois anos, esta sala assumiu-se como a sala de cinema da cidade e desde Janeiro, com o investimento realizado pela Câmara Municipal no sentido de a dotar das melhores condições técnicas para a projecção de filmes, incrementou a sua programação para uma média de 10 ou 11 filmes por mês com cerca de 20 sessões.
A acompanhar o aumento do número de sessões e a maior proximidade com a data de estreia dos filmes, registou-se um incremento assinalável do número de espectadores. Este aumento correspondeu também a uma diversificação do público, tendo muitas pessoas, neste período, visto um filme pela primeira vez, no Cine-Teatro Avenida. É necessário destacar que a política de preços deste espaço municipal é balizada pela óptica de serviço público, com bilhetes mais baratos que os cinemas comerciais.
Concomitantemente, o facto de a lotação ser muito superior à das salas de cinema dos chamados multiplexes, permitiu chegar a um público numeroso com muito menos sessões, que não seriam possíveis devido à programação de outros espectáculos e iniciativas.
A grande incógnita é saber se o público vai frequentar de forma consistente as novas salas que irão inaugurar brevemente. No último ano das anteriores salas de cinema Castello Lopes, os números aproximavam-se dos 75.000 bilhetes vendidos, o que dá uma média de aproximadamente 1,5 ida ao cinema, por ano/pessoa residente no concelho. Parece-me pouco auspicioso, sobretudo se atendermos ao facto de a tendência de contacto com os filmes ser cada vez mais multiplataforma, com o computador e a internet a dominarem.
Ver um filme no Cinema é algo completamente diferente da experiência televisiva ou do visionamento no computador. É uma experiência colectiva e em termos sensoriais tem tudo para ser mais forte e impactante. Vamos ao Cinema?